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Mostrando postagens de janeiro, 2026

Fome que ninguem nomeia

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 Fome que ninguém nomeia A Fome que Ninguém Nomeia A fome não é só do corpo.  Ela é uma ausência que cava túneis na alma. É a criança que mastiga pó de tijolo  imaginando que é pão.  É a mulher que cozinha o próprio silêncio  porque não há o que pôr na panela.  É o velho que guarda cascas de laranja  como se fossem medalhas de sobrevivência. A fome é também o olhar desviado:  o vizinho fecha a janela,  o governo fecha as contas,  o mundo fecha os olhos.  E cada um desses fechamentos  é um prato a menos. A fome tem som  o ronco do estômago é o hino dos invisíveis.  Tem cheiro  o odor da panela vazia é mais forte que qualquer perfume.  Tem cor  o cinza da pele que se apaga antes da hora. Mas a fome mais cruel  não é a que consome carne e osso, é a que consome o direito de existir.  É quando o ser humano vira sobra,vira estatística,vira silêncio. E dói dizer há quem se alimente da fome alheia. ...

O Guardiã das palavras

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            O Guardião das Palavras  Na cidade de Pedra Clara, onde o tempo parecia andar mais devagar e os ventos carregavam lembranças, havia uma biblioteca esquecida. Não constava em mapas, nem em registros oficiais. Era como se ela existisse apenas para quem realmente precisasse encontrá-la. Isadora chegou à cidade em busca de silêncio. Depois de anos tentando publicar seus textos, colecionando rejeições e dúvidas, ela decidiu se afastar de tudo. Alugou uma casa simples, com janelas grandes e cheiro de madeira antiga. Mas o vazio não a deixava em paz. Certa noite, enquanto caminhava sem rumo, viu uma construção escondida entre árvores retorcidas. A porta estava entreaberta, e uma luz tênue escapava pelas frestas. Era a biblioteca. Lá dentro, o ar era denso, como se cada livro respirasse. As estantes se estendiam até o teto, e o chão rangia sob seus passos. No centro, uma mesa com um caderno aberto e uma pena repousando sobre ele. Isador...

O Sussurro das Estrelas**

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                     O Sussurro das Estrelas** Em uma noite tranquila na pequena cidade de Vale Sombrio, os moradores se preparavam para mais uma noite de descanso. Mas algo estava prestes a perturbar essa paz. No céu, uma luz intensa começou a dançar entre as estrelas, atraindo a atenção de todos. Entre os curiosos estava Lucas, um jovem fascinado por astronomia. Ele pegou seu telescópio e se dirigiu a uma colina isolada, longe das luzes da cidade. Assim que começou a observar a luz, um sentimento de inquietação tomou conta dele. A dança da luz parecia mais próxima, mais intensa, como se estivesse chamando-o. Enquanto Lucas ajustava o telescópio, uma sombra passou rapidamente por ele. Ele se virou, mas não havia nada. O silêncio era opressivo, e uma sensação de estar sendo observado o envolveu. Ele decidiu ignorar o pressentimento e voltou a olhar para o céu. De repente, a luz se transformou em uma forma ovalada, descen...